pois eu, já! e muito recentemente! quero eu dizer, para que não haja mal entendidos, que me apaixonei por uma escrita limpinha - como costumo dizer daquelas de que gosto muito - , mesmo à minha medida, por uma escrita-alma em que cada trecho é amor, é vida, é fogo, é criatividade pura, em que cada trecho nos leva a pensar com um sorriso pendurado no canto dos lábios, deixando-nos, por vezes, sisudos, mas não tristes, pensativos, mas não ausentes, alegres, mas não eufóricos, num ritmo constante que nos recorda o bater do coração, VIDA, vida, VIDA, vida, numa harmonia que começa e acaba em cada virar de página, da primeira à última palavra.
estou a falar de José Eduardo Agualusa e do seu livro "O Vendedor de Passados", do qual vos deixo aqui um trecho, a meu ver, comovente. se ainda não leram, leiam. vale a pena!
"Só somos felizes, verdadeiramente felizes, quando é para sempre, mas só as crianças habitam esse tempo no qual todas as coisas duram para sempre. Eu fui feliz para sempre na minha infância, lá na Gabela, durante as férias grandes, enquanto tentava construir uma cabana nos troncos de uma acácia. Fui feliz para sempre nas margens de um riacho, uma corrente de água tão humilde que dispensava o luxo de um nome, embora orgulhoso o suficiente para que o achássemos mais do que um simples riacho - era o Rio. Corria entre lavras de milho e mandioca, e íamos para lá caçar girinos, passear improvisados barcos a vapor, e também, à tardinha, espreitar as lavadeiras a tomar banho. Fui feliz com o meu cão, o Cabiri, fomos os dois felizes para sempre, perseguindo rolas e coelhos através das tardes longas, jogando às escondidas em meio ao capim alto. Fui feliz no convés do Príncipe Perfeito, numa viagem eterna entre Luanda e Lisboa, lançando ao mar garrafas com mensagens ingénuas. A quem encontrar esta garrafa agradeço que me escreva. Nunca ninguém me escreveu. (...)"
22 comentários:
É uma bela escolha sim senhora :)
vês como sabes :)))
Não foi pelo Agualusa, mas apaixonei-me, sim. Tinha 18 anos e continuo apaixonado hoje por essa senhora. :) Beijo!
muito bom, agualusa!!
e sim, é fácil apaixonarmo-nos por escritores e
até senti co rr es pondência
!! :)
hum...
obrigada pela dica...
já sim senhora! isto de se ser amante da leitura tem destas coisas ;)... fui "conquistada" aos 16 anos e apesar do senhor em questão já não se encontrar entre nós, este amor não se esgota :)
beijinhos
também eu gosto muito de ler este autor, minha amiga. por acaso, não tenho o livro, mas hei-de tê-lo :)
beijinho grande
the book of life
As coisas simples são as mais belas...
Um beijo
Daniel
Olá Joana
É, de facto, um trecho bastante interessante. Merece a tua paixão. Fica sempre bem a paixão entre dois escritores!!
Um beijo
José Eduardo Agualusa tem uma excelente escrita. De apaixonar.
Um beijo.
Já me apaixonei por vários escritores... :) Sou até muito inconstante nessa matéria. As minhas paixões variam, variam... :))
Agualusa é uma óptima escolha.
muito bonito, sim... entendo essa paixão...
um beijinho
Virginia Woolf! Sempre! Beijo!
Obrigada pela dica. Um beijo.
Ainda não li Agualusa, Joana, mas esta entrada é um forte incentivo. Ela e o brilho nos olhos de uma menina que vi, há tempos, a ler O vendedor de passados. Beijos!
apaixonar, acho que não, mas identificar-me com autores, sim, várias vezes...
esta passaegm do Agualusa é de encantar!
já li o livro. e compreendo-te.
um beijinho.
E é sempre um amor correspondido se o leitura foi gratificante e apaixonante, a escrita terá sido apaixonada, seguramente.
Abraço
P.
alguém escreverá ~ respondo te.
abraÇo.beijO
parabéns pelo blog.
Eu também já o li e senti o mesmo!
Parabéns pela descrição.
beijinhos
(p.s. Também pus um excerto em http://omeucais.blogspot.com/search?q=agualusa)
Lindissimo e comovente este trecho. Vou certamente ler este livro. Obrigada Joana. Bjo.
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