quando nos achamos livres,
descobrimo-nos prisioneiros
desta teia que é a vida,
rodeados de clausura,
muros altos e surdos,
bocas cerradas e sérias,
mãos encobertas de névoa,
pontos longínquos sem brilho.
quando nos achamos livres,
descobrimo-nos reféns
de tempestades incolores,
mergulhados na frieza
de campos sem flores,
no pó estéril do caminho,
na indiferença da bênção
aspergida pela chuva.
uma pedra é mais livre
do que uma alma dorida,
sonha mais e mais alto
que um coração recluso,
pois ela sabe que amar
é fazer parte de tudo,
saber ser uma pedra
e deixar-se voar...
Domingo, 20 de Abril de 2008
livre
Publicada por JRL em 20.4.08
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24 comentários:
Libertação.
O que eu tenho andado a perder, caramba! Imperdoável!
obrigada J.
bom re.ver.ler.te.
"legente".
.
beijo______________S.
"Uma pedra é mais livre do que uma alma dorida"
Um abraço
de que sou livre se me aprisiono em mim e me prendo em ti
se os meus olhos olham o que está para ser olhado
se não alcanço com eles o momento desejado
apenas e só porque tão longe está daqui
beijo
aqui está uma bela definição, amiga joana. ser livre é ser uma pedra que voa. e não mais! gostei muito de ler. um grande beijinho *
"Liberdade que estás em mim
santificado seja o vosso nome"
Torga
bora fugir da clausura, bora saltar muros, bora...ser pedra
bora apanhar avião???
bêjos miga linda!
ad-L
e porque são tão visíveis
as asas das pedras?
e porque são tão leves
subita mente!!?
e que bom que é ser-se livre de e com qualquer coisa...
sei ser uma pedra
e deixar-me voar
na fronteira entre
o sol e o verso
o verso de todos os
dias, de todas as
horas, de todos os
mares
belíssimo poema, joana
Pela visão poética das coisas deparamos-nos com diversas (ir)realidades distintas.. Pela poesia somos livres de quebrar as fronteiras do invisível, somos até capazes de viver 'irreais' realidades mas no fim a sua sensibilidade traduz-se num mundo 'real'... Enfim, tomamos consciência da falsa liberdade que nos é garantida e perpetuamos a opressão dos sentidos.
Pela poesia sou capaz de ser pedra, consigo sonhar e sentir, sou livre... Contudo, assim, conhecendo a reclusão dos outros reconheço a minha própria prisão e escondo-me no cinzento do mundo, penso-me poeta. Há que voltar a ser pedra, para que com a sua inércia eu possa quebrar o vidro celeste... para que eu consiga sonhar e com isso me sinta livre.
Excelente poema-reflexão... excelente 'blog', Parabéns!
5*
É tudo verdade, tudo
e muita coisa está nas pedras que carregamos, encontramos e nos transformamos.
Beijo J.
Em boa hora voltaste, Joana! Com a qualidade intacta, ou porventura reforçada pelo período de pousio. Beijinhos!
também acredito que uma pedra é mais livre do que uma alma dorida.
gostei muito
um beijo.
onde
nada senão o silêncio:
extensamente
flutuação
Não sei se consigo ser pedra, sequer...
Um abraço
a liberdade tem as suas teias.
um beijo.
"uma pedra é mais livre
do que uma alma dorida"
fantastico;)
Tiago
Olá Joana!
É muito difícil ser livre com todos os constrangimentos e entraves,
com todos os maus funcionamentos, negligências,
Maldades.
Uma pedra está exposta à mesma intempérie que nós, mas não se pode recolher, também não é livre. E se é mais livre do que uma alma dorida será tão-somente porque a pedra não sente.
Um beijo
Stella
sabe ser livre para além
do que a faz prisioneira
...
x
Olá
Liberdade, liberdade
Quem a tem chama-lhe sua...
Que bom voltar a reler-te!
Beijinhos minha amiga.
Poema e reflexão. Sempre belo, Joana. Um beijo.
Ainda bem que voltaste, Joana. É muito bom ler-te. Não se pode ficar indiferente.
Bjo.
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