eu sei.
não digas nada.
não precisas de dizer nada.
sorris...
dá-me a tua mão.
vamos passear um pouco?
está um dia tão agradável, hoje.
continuas a sorrir...
enquanto estiveres aí
eu estarei sempre aqui
e nós seremos água e fogo.
olhas-me, sério...
voamos ambos sobre o mar
e mergulhamos na montanha.
somos versos em desalinho.
sorriem, os nossos olhos...
como sabe bem respirar este ar
que nos preenche por completo
e nos rasga o peito em flor...
já não vos conto mais...
Domingo, 18 de Maio de 2008
já não vos conto mais...
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e a guerra tem nome?
o silvo das balas.
e na ponta vai escrito:
não há Deus para ti!
são tantos, tantos, tantos
os gritos das memórias
que se esfumam
demasiado cedo.
explodem as minas,
decepam os membros,
ceifam peitos singulares.
arrogância, ignorância.
RAIVA!
submersos nas trevas,
condenados à eternidade,
esquivam-se à dor
de ser Pessoa
fora da escuridão.
porque dói! dói!
e os olhos brilham
nos murros e pontapés,
brilham no vazio
que a arma oferece,
brilham no inferno
que arde na imundície,
e os olhos néscios,
e os olhos cegos,
e o deserto que se estende
e nos lambe sem piedade
e apaga o lume...
como se nunca
tivéssemos existido.
e o fim e o começo.
e as escolhas nos dedos
que burilamos como se...
houvesse todo o tempo do mundo!
o silvo dos pensamentos.
e na ponta vai escrito:
...
Publicada por JRL em 18.5.08 0 comentários
Quarta-feira, 14 de Maio de 2008
o amor também é isto
Publicada por JRL em 14.5.08 13 comentários
Segunda-feira, 12 de Maio de 2008
pobre alma
do teu fel faço mel
como nunca provarás,
ao azedume desses dedos
arranco as minhas forças,
dou à luz estas raízes,
abraço os cometas
e dou-me toda,
dou-me toda - vês? -
por inteiro,
como virás aqui ler,
repetidamente...
deleita-te, pobre alma,
com esta casa ensolarada,
não te vás com essas mãos
gretadas de amargura,
toma um beijo suave
para te adoçar o vazio...
não tens culpa,
não tiveste foi sorte!
Publicada por JRL em 12.5.08 12 comentários
Domingo, 4 de Maio de 2008
já alguma vez se "apaixonaram" por um escritor?
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Der Kuss
revisitei-nos nos traços daquele beijo,
nos afagos que cantavam em silêncio,
foragidos no roçar das nossas vestes,
nos abraços apertados que me deste,
nos teus olhos a correr para o mar.
redescobri que existe um nós possante,
quando preenches o cerrar das pálpebras,
sempre que me espreitas de longe,
em cada espaço em branco desbravado,
no começo e fim de cada instante.
moldei as memórias com a língua,
aqueci-as com um coração cansado,
apertei-as junto ao peito fendido
e com elas pintei os meus lábios.
se é amor o que me queres dar,
serei o teu porto de abrigo,
das tempestades violentas,
da secura bolçada por sóis salgados,
se é amor o que me tens,
serei um pedaço da tua completude,
o sangue da tua vida.
se é amor...
(título de uma tela de Gustav Klimt)
Para ti...
Publicada por JRL em 4.5.08 3 comentários
Domingo, 20 de Abril de 2008
livre
quando nos achamos livres,
descobrimo-nos prisioneiros
desta teia que é a vida,
rodeados de clausura,
muros altos e surdos,
bocas cerradas e sérias,
mãos encobertas de névoa,
pontos longínquos sem brilho.
quando nos achamos livres,
descobrimo-nos reféns
de tempestades incolores,
mergulhados na frieza
de campos sem flores,
no pó estéril do caminho,
na indiferença da bênção
aspergida pela chuva.
uma pedra é mais livre
do que uma alma dorida,
sonha mais e mais alto
que um coração recluso,
pois ela sabe que amar
é fazer parte de tudo,
saber ser uma pedra
e deixar-se voar...
Publicada por JRL em 20.4.08 24 comentários
Quinta-feira, 17 de Abril de 2008
entre alfa e ómega
não sou nada.
não sei nada.
só agora comecei.
os passos que julgara
já ter abocanhado,
como se na construção
de alicerces inabaláveis,
nada mais são que o local
onde desabotoo o começo,
onde renuncio ao engano,
onde me procuro
para além de mim,
na circunferência onde habito
desde o primeiro tempo,
desde o primeiro grão,
semeada na terra
pela boca do dragão.
sou o seio da mãe
que ainda não provei,
o rosto da luz
adormecida na besta,
sou local inexacto
que quer ser fecundado
por um fragmento de espaço
cravado no peito do tempo...
ali...
onde renascerei.
Publicada por JRL em 17.4.08 6 comentários
Terça-feira, 15 de Abril de 2008
obrigada!
pélago
ainda que outra coisa digam de ti
és tu quem domina a musculatura
das palavras, tu, azul tão pródigo
rondando a coroa dos olhos como
um verso exacto para nós nascido
Publicada por JRL em 15.4.08 12 comentários
Sexta-feira, 11 de Abril de 2008
ainda não era o tempo
ainda não era o tempo
de a lua se despir
enquanto declamava
os peixes que ondulavam
no seu ventre macio,
ainda não era o tempo
de o eco distante se libertar
penetrando nos poros sequiosos
das bocas que abriam caminho
ao voo dos girassóis,
ainda não era o tempo
de a alma chorar
estrelas-do-mar e ouriços
enquanto cantava o silêncio
de um amor quebrado no molhe,
ainda não era o tempo
-ouvia-se-
ainda não era o tempo
de as horas não existirem
no entrelaçar de sorrisos
na dança de olhares vivos
no alento de um amor sonhado.
Publicada por JRL em 11.4.08 20 comentários
Domingo, 16 de Março de 2008
até breve
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Quarta-feira, 12 de Março de 2008
Aviso
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Segunda-feira, 10 de Março de 2008
a fome
sou a herege maldita,
clamor inaudível de trevas,
cegueira da vela apagada
no sopro da porta fechada,
acólita do funesto punhal
no silêncio pecaminoso,
assassina do fulgor da luz
na insídia da traição.
chamo-me fome.
Publicada por JRL em 10.3.08 18 comentários
não tenhas medo
se tropeçar, receosa, nos teus ramos,
não te recolhas à terra sem mim.
não tenhas medo, eu estou aqui.
enlaça-me nos bagos que me sorris
e ensina-me como se semeia um sol.
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Quinta-feira, 6 de Março de 2008
a noite
a noite que escorrega
nas paredes caiadas
apaga a claridade incerta
dos momentos
que estes dedos
creram tocar ao de leve.
breves os sorrisos
devolvidos pelo sangue
enraivecido de nós.
a noite que desliza
sobre o piano
desabitado de pautas
esconde o rosto
das mãos ásperas
que espreitam em surdina.
o dia escurece
com o sabor do sangue
que me afoga no voo.
noite do meu dia.
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Terça-feira, 4 de Março de 2008
propositadamente sem título
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Domingo, 2 de Março de 2008
saudades...
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Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008
Publicada por JRL em 27.2.08 18 comentários
Domingo, 24 de Fevereiro de 2008
passos
Publicada por JRL em 24.2.08 22 comentários
voar
Publicada por JRL em 24.2.08 13 comentários
Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008
pensamento...
Publicada por JRL em 21.2.08 22 comentários
mais mimos...
A minha querida amiga ad astra do blogue com o mesmo nome deu-me este mimo. É suposto repassá-lo a sete outros blogues. Ad astra, amiga minha muito especial, a ti não to posso dar de volta (lol... posso fazer batota...), e acho que vou atribuí-lo a cada uma das pessoas que me visita e me dá tanta coisa, que para mim significa tanto. Tantas são já as pessoas que passaram a ocupar um espaço dentro de mim. Obrigada por se terem cruzado comigo. Obrigada por terem perdido o vosso tempo a dar-me atenção. Um abraço a todos...
Publicada por JRL em 21.2.08 4 comentários
Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008
Publicada por JRL em 20.2.08 10 comentários
Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008
porquê?
envergonha-te a nudez,
a macieza de um ventre,
a generosidade de um peito,
mas é de frente que vês o sangue
que comeu uma bala
no corpo de uma criança...
escondes o rosto do amor,
dos prazeres mundanos,
do fogo que arde sem O2,
mas olhas para a guerra abjecta
que se alimenta dos indefesos
cuspindo almas com altivez...
por que te escondes do que é belo
mas enfrentas o execrável?
Publicada por JRL em 19.2.08 12 comentários
Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008
sabemo-nos
acordou despido de música,
vazio de tons quentes,
ausente de afectos curvos...
não sabia ainda de mim
acordei sem a frescura
de uma gota de orvalho
resvalando pela fronte...
não sabia ainda dele
acordámos um no outro
sem saber que o Inverno
cedera a uma nova era...
não sabíamos ainda um do outro
sentiu-me nas gotas de chuva
e no vento que lhe roubou um beijo
e no silêncio que se agitava na alma...
e assim soube de mim
senti-o na estrela da manhã
e na neblina que me calou o rosto
e na semente que germinava em mim...
e assim soube dele
e ainda que não nos cruzássemos
nas linhas destas folhas de papel,
nas horas desta vida errante,
nos astros para lá do amanhã,
sabíamos tudo o que havia a saber...
e assim sabíamos um do outro
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Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008
12 palavras
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Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008
quando uma voz
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Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2008
seiva
e se, porventura, as nossas
bocas se encontrassem nas
asas da borboleta que embala
o meu sono?
e se, por acaso, as nossas
bocas se tocassem em sopros
de clarinete despido da
noite?
as nossas bocas
generosos veios
por onde corre
a seiva primeira
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bolbos
os torrões de terra
caem das tuas mãos,
dos teus olhos, matam
a serpente, roca
ardilosa com esporas
de rosa perversa,
sob o sol negro
de tanto calor,
esquecidos da água
que se aventurou
no encalço da sede
dos sóis, expulsos
da galáxia negra
quando os torrões
eram ainda fecundos
bolbos no palpitar
sereno da existência
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sou em ti
perdi a boca
nos teus olhos
e as palavras
nas tuas mãos
semeia-me
rega-me
colhe o fruto
com as pétalas
dos teus lábios
sente-me
corre as cortinas
e dá-me as mãos
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Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008
Ámen
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Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008
orquídeas
...esquecidas sobre um banco de
jardim, as orquídeas choram
as sonatas que ainda dormem
nas tuas mãos sem acordes...
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ter-te...
Publicada por JRL em 23.1.08 11 comentários
Terça-feira, 15 de Janeiro de 2008
e acordo...
Publicada por JRL em 15.1.08 27 comentários
Sábado, 12 de Janeiro de 2008
quando o medo...
as portadas batem fortes
nas paredes de papel,
sem ritmo, em desordem,
surdas do meu terror...
quebra a onda que ensurdece
a lucidez destas mão ralas,
espuma sonhos esquecidos
sobre o soalho naufragado...
aquiesce o vento em fúria
rasurando o meu sorriso,
rasga-me memórias vãs
e espreita, taciturno...
aqui dentro...
bem fundo...
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Sábado, 5 de Janeiro de 2008
um dia na vida de um menino
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Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008
a porta
recôndito eco
de um porquê circular
que nada devolve
nem vocábulo expele,
plasma maligno
sitiado em mim
que um gargalo fendido
não resgata aos demónios,
emparedada entre dois mundos
que me perdem a carne
no beijo do anjo sem rosto
que faz a vigília dos passos,
soergue-me o alcance dos sonhos
nas letras orvalhadas de afectos,
nos mistérios que o amanhã guarda,
nos abraços confiados ao vento,
rasga o círculo,
abalroa o plasma,
abre a porta.
(para a Irneh)
Publicada por JRL em 3.1.08 14 comentários
Sábado, 29 de Dezembro de 2007
o apanhador
caiu a lua circular
na palma da tua mão
e todos os astros estelares
nos nós dos teus dedos
e quando o negro
perdeu a cor
dos contrastes
que nos bebem os olhos
só tu brilhaste
na minha pele
e foste capaz
de chamar o meu nome
rugindo as entranhas da terra e
uivando os cristais de sal
com que me pintaste
nos teus sonhos arbóreos,
só tu te saciaste em mim
na refrega da fome
sem nome,
só tu exististe
porque nasceste
para podar os meus braços,
só tu foste,
só tu...
que andas por aí,
apanhador de astros,
planetas e cometas,
que da poeira cósmica
hás-de fazer o berço
do resto das horas.
ainda tenho aquela estrela
que me deixaste
quando estava desprevenida.
Publicada por JRL em 29.12.07 28 comentários
eu dizia-te...
eu dizia-te
que o sonho acontece,
não fosse sentir
que te escapas por entre os dedos
como a areia de um relógio,
dizia-te que quando se ousa... acontece,
não fosse pressentir
que levantas amarras
para navegar os ponteiros que te faltam,
dizia-te (sussurrando...
bem perto do teu peito)
que o fogo foi criado
para arder e...
as mãos...
para explorar os rostos
de cada boca
que nos atravessa
nos ângulos imperfeitos,
dizia-te mentiras e verdades
só para te desfrutar,
não fosse esta avareza de alma
destruir a delicada teia
de fios invisíveis que...
estendeste até mim.
dizia-te
tudo isto,
dizia-te
tudo o que não disse.
Publicada por JRL em 29.12.07 11 comentários
Boas Entradas em 2008
A Piedade Araújo Sol, do blogue http://olharemtonsdemaresia.blogspot.com/, ofereceu-me um mimo.
Tenho de indicar quem me atribui o prémio, atribuí-lo a 7 blogues que "até não sejam maus blogues" e fazer referência ao criador do prémio.
Primeiro, agradeço à Piedade o carinho que me oferece com a ternura que lhe é característica. Não quebrando a corrente, mas também não querendo ser injusta, passo a indicar os seguintes blogues para o prémio, sem, no entanto, deixar de dizer que gosto muito de todos os blogues que visito, cada um deles por razões que são só de cada um:
Porque a sua escrita é, a meu ver, pura e simplesmente brilhante, para a Maria M., do blogue http://www.blogcompalavrasaofundo.blogspot.com/
Porque os seus poemas estão carregados de sentidos que apetece percorrer, para o Carlos Ramos, do blogue http://www.penichecarlos.blogspot.com/
Porque imprime mestria, sabedoria e uma belíssima lucidez aos seus lindos poemas, para o Torquato da Luz, do blogue http://www.oficiodiario.blogspot.com/
Porque fico presa às suas palavras, quer escreva prosa, quer poesia, e seja sobre que assunto for, para o Bruno, do blogue http://dancamosnomundo.blogspot.com/
Porque os seus escritos poéticos são de inegável e franca qualidade, para a Helena F. Monteiro, do blogue http://www.linhadecabotagem.blogspot.com/
Porque fico enleada na imaginação que tão bem distribui pelos belos textos que escreve, para o "rato do campo", do blogue http://boanoitequeijo.blogspot.com/
Porque os seus poemas me tocam lá bem no fundo e me fazem pensar, para a ~pi, do blogue http://pas-s-ages.blogspot.com/
Aproveito o gesto da Piedade para dizer que, desde que criei este blogue, tenho conhecido pessoas maravilhosas neste mundo da blogosfera, cada uma à sua maneira, as quais me parece que seria muito improvável vir a conhecer no decurso de toda uma vida sem que existisse a internet. Valendo-me, por isso, da aproximação do ano de 2008, quero dizer A TODOS: MUITO OBRIGADA POR TUDO O QUE ME OFERECERAM. É IMPAGÁVEL!
À semelhança deste ano, que está à boca do fim, desejo a todos que o ano de 2008 vos possa fazer sentir que VALE A PENA, porque vale mesmo!
Boas Entradas! :)
Publicada por JRL em 29.12.07 9 comentários

